Ribeirão Preto é uma cidade grande, mas do interior. E interior, em tecnologia, quase sempre significa a mesma coisa. Você aprende sozinho, trabalha meio isolado, e as comunidades boas estão todas em São Paulo, a umas quatro horas de carro. Em 2022, alguns amigos e eu resolvemos que não precisava ser assim, e fundamos o RP.js, a comunidade de JavaScript de Ribeirão Preto.
A ideia era simples e teimosa. Um meetup mensal, presencial, de graça, aberto a todas as stacks, com um foco claro em quem está começando. Estudante, dev júnior, quem tá trocando de carreira. A gente que mais precisa de um lugar pra aparecer, fazer pergunta e conhecer os outros da cidade que fazem a mesma coisa.
Como funcionava
O formato era sempre parecido. Uma ou duas palestras, mais um showcase de um aluno ou de um projeto da própria comunidade. O primeiro evento foi no Dabi Business Park, com o Amir Elemam falando de threads em Node.js, o Luiz Froes, CTO da Complette, sobre os desafios de quem tá entrando no mercado, e o Pedro Brilhadori sobre consumo de API em JavaScript. Profissional de fora e gente da casa no mesmo palco, de propósito.
Eu não tenho os números guardados. A gente sempre tocou tudo no WhatsApp e no Discord, sem métrica bonita. Mas o que eu lembro é que sempre lotava. Um meetup de tecnologia de graça, numa cidade do interior, lotando de gente que queria estar ali. Pra mim isso já era o resultado.
O time
O RP.js não é meu. Eu co-fundei junto com o José Guilherme, e desde o começo tem uma equipe de organizadores e coordenadores que faz a coisa acontecer, o Pedro, o Alexandre, o Italo, a Patricia. É trabalho voluntário, feito no tempo livre de gente que já tem emprego e faculdade. O meu lado ali sempre foi mais o técnico, cuidar do site, das ferramentas, do bot do Discord, e ajudar a organizar.
Pra onde eu quero levar
Hoje eu tenho um plano maior pro RP.js, e é o que mais me anima. A gente sempre gerenciou tudo na mão, no WhatsApp, sem histórico e sem visibilidade. Quero transformar isso numa plataforma open-source de verdade, não só pro RP.js, mas pra qualquer comunidade tech do Brasil rodar a sua. Gestão de eventos, inscrição com controle de vaga, check-in por QR code, certificado de participação pra contar como horas complementares, e card de divulgação gerado automático pro Instagram e o LinkedIn.
E tem uma segunda intenção nesse plano. Quero construir essa plataforma como um projeto real de aprendizado, com devs juniores da comunidade mexendo em código de produção, mentorados por mim. Na stack que eu curto, Astro no front, NestJS e Postgres no back, na mesma infra self-hosted de custo baixo que eu já rodo em outros projetos. É fechar o ciclo. A comunidade que me deu palco quando eu tava começando virando o lugar onde outros começam.
Por que isso importa
É fácil olhar pra um meetup de interior e achar pequeno. Mas comunidade é a única coisa que resolve o isolamento de quem aprende sozinho longe dos grandes centros. O RP.js foi, pra muita gente daqui, o primeiro lugar onde deu pra subir num palco, fazer uma pergunta besta sem medo, ou simplesmente descobrir que não tava sozinho. Ajudar a construir isso, e querer construir mais, é uma das coisas de que eu mais tenho orgulho fora do código.